Dra. Suyaluane Melo explicando diferentes métodos contraceptivos em consulta ginecológica

Escolher um método contraceptivo não deveria significar usar a mesma pílula que uma amiga toma ou aceitar a primeira opção oferecida. Existem diferentes métodos contraceptivos, com variações importantes de eficácia, duração, presença de hormônios, efeitos sobre a menstruação, contraindicações e forma de uso.

Por isso, não existe um anticoncepcional que seja o melhor para todas as mulheres. A escolha mais adequada é aquela que combina segurança clínica, eficácia no uso real e respeito às suas preferências.

Durante o aconselhamento contraceptivo, a mulher deve receber informações claras sobre as alternativas disponíveis para participar ativamente da decisão. A escolha final precisa considerar sua saúde, sua rotina, seus planos reprodutivos e o que ela considera aceitável em relação ao uso e aos possíveis efeitos do método.

Como escolher o melhor método contraceptivo?

Antes de comparar pílula, DIU, Implanon, injetável ou preservativo, é importante responder a algumas perguntas.

Consulta ginecológica para escolha individualizada do método contraceptivo

Por quanto tempo você deseja evitar uma gravidez?

Algumas mulheres querem engravidar em poucos meses. Outras desejam evitar uma gestação durante vários anos ou já completaram seu planejamento familiar.

Essa informação ajuda a decidir entre métodos de uso diário, semanal ou mensal; métodos injetáveis; métodos reversíveis de longa duração; e métodos definitivos.

DIUs e implantes são de longa duração, mas continuam sendo reversíveis. Após a retirada, a fertilidade tende a retornar rapidamente.

Você consegue lembrar de usar um método regularmente?

A pílula pode apresentar excelente eficácia quando usada corretamente. No cotidiano, porém, esquecimentos, atrasos, vômitos, diarreia e algumas interações medicamentosas podem reduzir sua proteção.

Quem tem dificuldade para manter uma rotina diária pode se adaptar melhor a um método que não dependa da lembrança, como DIU de cobre, DIU hormonal, implante contraceptivo ou anticoncepcional injetável.

Essa diferença explica por que a eficácia no uso real é tão importante quanto a eficácia observada em condições ideais.

Como é a sua menstruação?

O padrão menstrual influencia bastante a escolha. Mulheres com cólicas ou sangramento intenso podem se beneficiar de métodos que reduzem o fluxo, como alguns anticoncepcionais hormonais e o DIU hormonal.

O DIU de cobre não contém hormônios, mas pode aumentar o sangramento e as cólicas, especialmente nos primeiros meses.

O implante contraceptivo pode produzir padrões variados: ausência de menstruação, escapes, sangramento irregular ou episódios prolongados. Essas alterações nem sempre indicam doença, mas precisam ser discutidas antes da inserção para que a decisão seja consciente.

Você tem alguma doença ou fator de risco?

A escolha também deve considerar enxaqueca com aura, hipertensão arterial, tabagismo, obesidade, histórico pessoal de trombose, câncer de mama, doença hepática, diabetes com complicações, uso de medicamentos que interagem com anticoncepcionais, pós-parto e amamentação.

Uma condição de saúde pode contraindicar um método, mas não necessariamente todos. Os critérios médicos de elegibilidade classificam a segurança de cada método de acordo com as características clínicas da usuária.

Você prefere menstruar ou gostaria de reduzir o fluxo?

Não existe obrigação médica de menstruar todos os meses durante o uso de um método hormonal adequado. Algumas mulheres preferem manter sangramentos previsíveis. Outras desejam reduzir o fluxo ou suspender a menstruação por apresentarem cólicas intensas, endometriose, adenomiose, anemia ou sangramento aumentado.

Essa preferência também faz parte da escolha.

Quais são os principais métodos contraceptivos?

Os métodos podem ser hormonais ou não hormonais, de curta ou longa duração, reversíveis ou definitivos.

Métodos contraceptivos hormonais

Os anticoncepcionais hormonais podem conter estrogênio associado a progestagênio ou apenas progestagênio. Além de evitar gravidez, alguns ajudam no controle de cólicas, sangramento intenso, acne, endometriose e outros sintomas ginecológicos.

Pílula anticoncepcional combinada

Contém estrogênio e progestagênio e precisa ser tomada regularmente. Pode oferecer ciclos mais previsíveis, redução do fluxo menstrual, melhora das cólicas, melhora da acne em algumas mulheres e possibilidade de uso contínuo.

Por conter estrogênio, não é segura para todas as mulheres. Em geral, deve ser evitada diante de situações como enxaqueca com aura, trombose atual ou prévia, algumas trombofilias, hipertensão grave ou não controlada e determinados perfis de tabagismo após os 35 anos.

A idade, isoladamente, não define a contraindicação. É o conjunto de fatores clínicos que determina a segurança.

Pílula somente com progestagênio

Não contém estrogênio e pode ser utilizada em situações nas quais os métodos combinados não são recomendados. Existem formulações diferentes, com margens distintas para atraso da tomada. Pode ocorrer irregularidade menstrual, escapes ou ausência de menstruação.

Anel vaginal e adesivo anticoncepcional

São métodos hormonais combinados. O anel é colocado na vagina e o adesivo é aplicado na pele, com trocas programadas. A principal vantagem é não depender de uma tomada diária. Como contêm estrogênio, apresentam contraindicações semelhantes às da pílula combinada.

Anticoncepcional injetável

Existem formulações mensais combinadas e trimestrais somente com progestagênio. Podem ser úteis para quem deseja evitar o uso diário, mas exigem aplicação nos intervalos corretos.

O injetável trimestral pode estar associado a irregularidade menstrual, ausência de menstruação, ganho de peso em algumas usuárias, redução transitória da densidade mineral óssea e demora maior para o retorno da ovulação após a última aplicação.

Essa demora não significa esterilidade, mas deve ser considerada por quem pretende engravidar em breve.

Métodos contraceptivos não hormonais

Preservativo externo ou interno

O preservativo é o único método contraceptivo que também reduz o risco de HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis.

Mesmo quando a mulher utiliza DIU, implante, pílula ou injetável, o preservativo continua importante quando existe risco de IST.

DIU de cobre

É um método não hormonal colocado dentro do útero. Suas principais características são elevada eficácia, longa duração, ausência de hormônios, retorno rápido da fertilidade após a retirada, possibilidade de uso por mulheres que nunca engravidaram e uso como contracepção de emergência em situações específicas.

A principal desvantagem é que pode aumentar o fluxo e as cólicas, principalmente nos primeiros meses. Por isso, nem sempre é a primeira opção para mulheres que já apresentam sangramento intenso, anemia ou dor menstrual importante.

Métodos comportamentais

Incluem observação do ciclo menstrual, muco cervical, temperatura basal, abstinência periódica e coito interrompido.

Esses métodos exigem treinamento, disciplina, conhecimento do ciclo e participação do casal. A eficácia no uso real é mais variável, especialmente diante de ciclos irregulares, pós-parto, amamentação, adolescência ou transição para a menopausa.

Ginecologista apresentando DIU e implante contraceptivo como métodos de longa duração

O que são os métodos de longa duração?

Os métodos contraceptivos reversíveis de longa duração são conhecidos como LARCs. Os principais são DIU hormonal, DIU de cobre e implante contraceptivo.

Eles estão entre os métodos reversíveis mais eficazes porque não dependem de lembrança diária, semanal ou mensal.

DIU hormonal

O DIU hormonal libera levonorgestrel principalmente dentro do útero.

Além da contracepção, pode reduzir o fluxo menstrual, diminuir cólicas, levar à ausência de menstruação em algumas mulheres, auxiliar no tratamento do sangramento uterino aumentado e ajudar no controle de sintomas relacionados à adenomiose e, em situações selecionadas, à endometriose.

Apesar de conter hormônio, a exposição sistêmica é menor do que a de muitos métodos hormonais de ação em todo o organismo. Escapes e sangramento irregular são frequentes no período inicial de adaptação.

Implante contraceptivo — Implanon

O implante é uma pequena haste colocada sob a pele do braço e libera etonogestrel.

Entre suas vantagens estão elevada eficácia, longa duração, ausência de estrogênio, não depender da lembrança, retorno rápido da fertilidade após a retirada e possibilidade de uso por adolescentes e mulheres que nunca engravidaram.

A principal causa de insatisfação é a mudança do padrão menstrual. Não é possível prever exatamente como cada mulher irá sangrar durante o uso.

Qual método contraceptivo é mais eficaz?

No uso habitual, DIUs e implantes estão entre os métodos reversíveis mais eficazes. Eles apresentam menos de uma gestação por 100 usuárias no primeiro ano.

Isso não significa que a pílula seja incapaz de evitar gravidez. A diferença é que métodos de curta duração dependem mais do comportamento da usuária.

MétodoDependência da usuáriaEficácia no uso real
ImplanteMuito baixaMuito alta
DIU hormonalMuito baixaMuito alta
DIU de cobreMuito baixaMuito alta
InjetávelModeradaAlta
Pílula, anel e adesivoAltaBoa, mas sujeita a falhas de uso
PreservativoAltaVariável
Métodos comportamentaisMuito altaVariável

A eficácia não deve ser o único critério. Um método altamente eficaz pode não ser aceitável para determinada mulher por causa do padrão de sangramento, da forma de uso, do desejo de evitar hormônios ou de outras preferências.

Existe anticoncepcional sem hormônio?

Sim. As principais opções são DIU de cobre, preservativo externo, preservativo interno, diafragma, métodos baseados na percepção da fertilidade, laqueadura tubária e vasectomia do parceiro.

Não ter hormônio não significa que um método seja automaticamente melhor, mais seguro ou livre de efeitos adversos.

O DIU de cobre, por exemplo, não interfere hormonalmente no organismo, mas pode aumentar cólicas e sangramento. Já o preservativo também reduz o risco de IST, porém depende do uso correto em todas as relações.

Quais são as contraindicações dos anticoncepcionais?

Não existe uma lista única válida para todos os métodos. Uma condição que contraindica um anticoncepcional combinado pode não impedir o uso de DIU de cobre, DIU hormonal, implante ou pílula apenas com progestagênio.

Os critérios médicos de elegibilidade dividem as condições clínicas em quatro categorias:

  1. o método pode ser utilizado sem restrição;
  2. as vantagens geralmente superam os riscos;
  3. os riscos geralmente superam as vantagens;
  4. o método apresenta risco inaceitável e não deve ser utilizado.

Por isso, antes de prescrever um anticoncepcional, é importante avaliar pressão arterial, histórico de trombose, tipo de enxaqueca, tabagismo, medicamentos em uso, doenças atuais, histórico de câncer, pós-parto e amamentação, padrão de sangramento e possibilidade de gravidez.

Nem toda mulher precisa fazer exames de sangue ou ultrassom para iniciar um anticoncepcional. Os exames necessários dependem do método e da história clínica.

Anticoncepcional causa trombose?

Alguns métodos contendo estrogênio aumentam o risco de trombose venosa. Isso inclui determinadas pílulas combinadas, o adesivo e o anel vaginal.

O risco não é igual para todas as mulheres e pode ser maior diante de trombose prévia, trombofilia, tabagismo, obesidade, imobilização, cirurgia de grande porte, período pós-parto e determinadas doenças cardiovasculares ou inflamatórias.

Métodos sem estrogênio apresentam perfil diferente e podem ser opções mais seguras em várias dessas situações.

A decisão não deve ser baseada apenas no medo da trombose nem na ideia de que todos os anticoncepcionais apresentam o mesmo risco.

É possível usar anticoncepcional depois dos 40 anos?

Sim. A idade, isoladamente, não impede o uso de contracepção.

Mulheres com mais de 40 anos ainda podem engravidar e devem manter um método enquanto houver possibilidade de ovulação.

Nessa fase, a escolha precisa considerar com atenção risco cardiovascular, pressão arterial, tabagismo, enxaqueca, padrão menstrual, sintomas da perimenopausa, necessidade de controle do sangramento, saúde óssea e desejo de contracepção prolongada.

O melhor anticoncepcional é o que faz sentido para você

A escolha não deve ser feita apenas com base no método mais conhecido, mais moderno ou utilizado pelas pessoas ao seu redor.

Durante uma avaliação individualizada, é possível comparar eficácia, riscos, benefícios não contraceptivos, duração, efeitos sobre a menstruação, possíveis efeitos adversos, facilidade de acesso, desejo de engravidar futuramente e preferências pessoais.

O objetivo não é convencer todas as mulheres a utilizar o mesmo método. É garantir que cada uma compreenda as opções e possa decidir com segurança.

A melhor escolha é aquela que combina segurança, eficácia e as suas preferências.

Quando procurar uma ginecologista?

Uma avaliação é especialmente importante quando há doenças crônicas, enxaqueca com aura, histórico de trombose, tabagismo, sangramento anormal, efeitos adversos com métodos anteriores ou dúvidas entre opções de longa duração.

Na consulta, o histórico de saúde, o padrão menstrual, a rotina, os planos reprodutivos e as preferências são considerados para identificar quais métodos são seguros e fazem sentido para aquele momento de vida.